07 fevereiro 2012

"terror finally becomes almost bearable

but never quite 

terror creeps like a cat 
crawls like a cat 
across my mind"

houve um momento, nesse grande emaranhado de incidentes desconexos popularmente conhecido como minha vida, em que tomei uma decisão. o que não quer dizer que eu venha cumprindo-a religiosamente. seguir o plano não é, digamos, um dom natural. vieram daí todos os mimosos codinomes que me acompanham desde sempre - uma lista bastante longa, na qual imprevisível e instável são os itens mais amenos. mas tamos aqui cumprindo o plano, dia sim, dia não. eu poderia estar ansiosa por não ser (ainda) capaz de me manter firme no que decidi, sem resvalar, sem fazer desvios malucos de percurso que depois não consigo explicar. mas ao menos por agora prefiro me orgulhar do que já consegui. para um observador desavisado pode não ter significado nenhum. para mim, foi uma mudança monstruosa. e embora seja frustrante ainda não possuir frutos concretos para esfregar na cara mostrar para as pessoas, sei que estou mais perto do que jamais estive. mesmo escorregando. mesmo pensando "é hoje que eu alopro tudo". 

estou num momento particularmente delicado, e é meio engraçado/meio assustador como quase ninguém parece se dar conta disso, e mesmo quem nota tá aí brilhando na política da não-interferência (para dizer o mínimo). é como se o universo tivesse providenciado um compacto dos piores momentos da minha vida, dado uma piorada e me devolvido com uma piscadela irônica. você não tá fazendo a evoluída, gatinha? então toma aqui e vamos ver como você se sai. e eu tô levando na cara em escala industrial sem previsão de parada, num déjà vu eterno de situações que me remetem a coisas ruins, que por sua vez remetem a coisas piores ainda. eu não passo cinco minutos sem pensar em como seria fenomenal dar um chilique, mandar a dignidade pro caralho, assumir que sou uma palhaça e não consigo, aproveitar todos os mil precedentes e voltar para a minha conchinha de pessoa instável. só que não. é fácil demais ficar à margem. fácil. tentador. mas isso significa ficar apartada do resto todo, também. porque ser café-com-leite até me livra da responsabilidade e do castigo, mas também vai me deixar de fora quando for o momento de receber meu prêmio. o que me parece perfeitamente justo, aliás - se não me esforço, não tenho o direito de desejar senão restos. e eu não cheguei até aqui, eu não tô ignorando sumariamente esse bando de espírito zombeteiro que jura que eu não dou conta, para voltar com o rabo entre as pernas, sabendo que tudo poderia ter sido diferente se não tivesse me acovardado.

eu posso até não ter uma noção muito clara de quem sou. mas depois de tanto tempo, de tanta vergonha, de tanto gritar no travesseiro, sei exatamente o que não quero voltar a ser. 

2 comentários:

  1. a vida pode ser bela, não justa... adorei o novo visual do blog.

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  2. E não sei se faz sentido ou tem a ver, mas quando se luta muito para mudar o que é considerado defeito, pode acontecer de perder a graça também... Permita-se (?).

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