28 dezembro 2011

tá tocando enya na minha vida

eu gostaria de ser capaz de resumir 2011, porque tenho essa coisa com começos e términos e ciclos. mas qual deles? a intensidade de janeiro a abril, o vácuo de maio a setembro, a calmaria vaga e doce dos últimos 3 meses? 2011 foi um ano de dias exaltados e noites de fossa, de bebedeiras tristes em lugares falidos. de coração partido em tantos milhões de fragmentos que só pude olhar e pensar "fodeu, nem todos os aspiradores do universo vão dar conta de limpar isso". de luto por uma pessoa que foi embora tão cedo, e de uma forma tão injusta. do vazio paralisante que veio depois disso tudo, como um preço caro demais. foi um ano em que não fiz absolutamente nada prático, e ao mesmo tempo me orgulhei tanto do que aguentei, do que descobri, do que me tornei. em 2011 eu aceitei desculpas. aceitei ajuda. aceitei uns chacoalhões bem necessários. aceitei as pessoas que me quiseram por perto sem pirar nas teorias da conspiração de por queeeee elas estão ali ou quando vão embora. aprendi a aceitar elogios. e descobri que é divertido fazê-los, ironicamente, com alguém que nem curte muito recebê-los. porque se fosse fácil e prático, não seria comigo, afinal de contas.

é desse 2011 que eu quero lembrar. desse, que começou no fim de agosto. desses poucos meses em que por vezes senti ter alcançado uma plenitude tão maluca que só conseguia pensar "ok, cabou, não existe nada além disso, morrerei.". mas existe. existe muita coisa além disso. e eu me sinto naquela cena de der himmel über berlin, quando damiel se torna humano e pergunta a um estranho na rua os nomes de todas as cores em uma pintura na parede (tem uma cena parecida no cidade dos anjos. mas nicolas cage*, né, pessoal. ninguém é obrigado.). extasiado de tudo. porque agora ele finalmente compreende.

eu disse mais cedo que estou entrando no novo ano sem planos. talvez eles não sejam necessários, não de imediato. talvez a única coisa essencial por enquanto seja continuar compreendendo. e acreditando.

espero que 2012 seja tão leve quanto puder ser. que minhas pessoas queridas fiquem bem, cada qual à sua maneira. que se encontrem, que me encontrem, que nos encontremos todos. que seja um ano de muitas cervejas, abraços de todos os tamanhos, vexames na são salvador, escapadelas para paquetá, fugidinhas para o ccbb, filmes bonitos, palavras bonitas. que a passagem de ano seja tranquila, nenhum mendigo me cuspa e eu não quebre nenhuma parte fundamental de minha anatomia dessa vez.

feliz ano novo. e obrigada. vocês aí, pessoas das entrelinhas, são sensacionais.
:*****


(*ternurinhas eternas pra @shibbo por ter me mostrado esse vídeo :D )

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