09 setembro 2011

post blue

tenho passado muito por lá nos últimos dias. você sabe.
foi praticamente minha casa por anos, e não sinto absolutamente nada. eu lembro, obviamente, mas são memórias vazias. estive nesse bar, discuti sob essa marquise. não tem a menor importância.

é realmente engraçado como as coisas são. como anos de lembranças podem ser ofuscados por uma única. meus sapatos de camurça vermelha ensopados pela chuva do fim de tarde, repisando-se ansiosos. havia tanta expectativa naqueles dias que agora o contraste chega a ser um pouco ridículo. aquele olhar para minha saia molhada e as fitas soltando dos meus tornozelos, "vai aguentar andar tanto?". e eu apenas sorri, pensando em quando fico louca e atravesso 4 bairros arrastando o mundo atrás de mim, porque se parar de andar morro. mas você me achava delicadinha, e foi assim que agi. com uma ternura arrancada de sei lá onde. eu não sou delicadinha. eu sou um marinheiro. carregaria fácil você nas costas, se tivesse a chance.

de tudo sobraram as roupas úmidas, com as quais dormi enroscada até perderem seu cheiro indefinível. os sapatos estropiados. e essa impressão terrível de que nada, nunca, voltará a ser tão familiar. 

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