17 dezembro 2009

#341

um dia cagado em minha vida

acordei cedo para imprimir os textos que deveriam ser usados a prova de hoje. rola todo um stress porque a turma encaminhou um ofício reclamando da conduta INSANA do professor dessa matéria. e o professor, muito maduro, reagiu às reclamações (que tinham fundamento) SONEGANDO OS TEXTOS.

fui para a faculdade e depois de muito garimpar arrumei uns textos velhos perdidos na xerox. nada muito substancial, apenas o suficiente para não ficar completamente perdida. deixei todos os computadores do laboratório baixando seriados diversos e fui fazer a prova.

começou a chover. e chover mais. e cair galhos por toda a parte. pensei gente, não seria gozado se acabasse a luz agora? e 10 minutos depois foi exatamente isso que aconteceu. turno da noite, ilha do fundão, um prédio inteiramente às escuras. eu ri, né. e todo mundo devolveu as provas e saiu vagando na escuridão.

no subsolo estava rolando a festa de fim de ano do instituto. com o apagão começaram a brotar na superfície umas pessoas extremamente bêbadas.

pois bem. peguei minha lanterninha e marchei de volta pro laboratório pra pelo menos desligar o ar condicionado e os monitores. abro a porta e no meio de todo aquele breu tem um computador ligado e funcionando normalmente.

VOODOO.

desligo tudo, me preparo pra sair e constato algo perturbador: preciso fazer xixi.
e não era um "preciso fazer xixi" do tipo seria legal dar uma mijadinha agora. estava mais pra mamãe-me-arruma-uma-rolha-tá-saindo-pelos-ouvidos-socorro.

examinei minhas possibilidades. banheiros inteiramente às escuras. da última vez que teve blecaute, ou festa do departamento, ou ambos, benjamin button foi encontrado chupando um pau no banheiro e eu total não estou precisando conviver com uma imagem dessas. sem mencionar todos os riscos de se entrar num banheiro totalmente escuro, no turno da noite, na ilha do fundão.

i said no, no, no.

a outra possibilidade seria abstrair, entrar num ônibus e encarar duas horas de engarrafamento na linha vermelha. ou ao menos seria uma possibilidade se eu conseguisse andar. o que já não era mais o caso.

de ses pe ro.

dei uma batida no laboratório esperando encontrar não sei o quê. um penico, no mínimo. bem, não possuímos penicos, mas possuímos potes tipo de maionese e tal. e eu poderia descrever aqui o que aconteceu a seguir, mas olha, não quero. de verdade. fica por conta de vocês.

muito mais leve e serena, fui com minha lanterninha até o lado de fora do prédio para pegar o ônibus. que obviamente estava lotado. o único espaço vazio era num degrau, ao lado de um ecologuinho EXTREMAMENTE chapado. e eu sentei, claro. engarrafamento monstro. mas fiquei toda torta porque tinha um parafuso ou sei lá entrando no meu pulmão. e eis que ecologuinho percebe e fala:

- veja bem, você pode se encostar em mim. mas não sei se vai achar apropriado.

hahaha, mermão, eu acabei de mijar num pote de maionese, quão apropriado isso é pra você? tipo assim, meus conceitos de certo/errado estão caindo por terra essa noite.

encostei.

enfim, pra encurtar a história o ecologuinho era profundamente chato, como todo ecologuinho que se preza, e entrou numa pilha muito errada de discutir filosofias evolutivas comigo num 485 lotado com janelas emperradas e chuva escorrendo pela minha bunda.

- porque tudo que tem bio... é vida... e vida... é o dna... e bio... é vida... e tipo, darwin... sabe como? origem das espécies, cara... a evolução... é o dna.

vendo que eu não estava propriamente interessada, resolveu enveredar por outra linha e contar o grande fenômeno climático que presenciou em picinguaba.

- porque eu tava lá, cara... na caverninha... apertando um beck... e repentinamente se formou esse fenômeno climático... zurbreendendje... e eu lá na caverninha, cara... e veio o tufão... e eu lá fumando um beck... na caverninha... caaaara...

sei que no final desse papo super animado ele achou de bom tom me convidar pra tomar uma cervejinha. e pela primeira vez em muito tempo eu respondi essa pergunta com um olha... não.

porque né? algum vestígio de dignidade eu precisava trazer pra casa.


e este foi um dia cagado em minha vida.

obrigada, voltem sempre.

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