28 março 2012

vai tudo bem, até que algo vai mal. perdi a conta de quantas vezes já usei essa frase para explicar como minha vida funciona, mas é interessante como as pessoas sempre, sempre se chocam com as demonstrações práticas.

eu estava indo para a aula e toda a chuva do rio de janeiro resolveu se concentrar em cima de mim. continuei andando, o vento me empurrou. fiquei puta, insisti, o guarda-chuva envergou. e saiu voando desmembrado em 4956 pedaços. comigo atrás aos prantos.

mas precisa chorar por isso, raquel?
olha, precisa. porque não era apenas um guarda-chuva com uma maluca correndo atrás. de repente, não era mais um guarda-chuva. era o resumo de todas as vezes em que eu acreditei que não ia me molhar e tomei no cu. era a minha reação acumulada por todas as vezes que eu arrisquei desafiar o vento e fiquei sozinha com uma coisa despedaçada nas mãos, uma coisa que não aguentou a ventania comigo. era a minha vontade de dar um ataque, sapatear em cima daquela merda e me despedaçar junto, mas em vez disso apenas voltar para casa pingando, secretamente frustrada por não ser esse tipo de pessoa que surta, não até o fim.

era tudo que ia bem, até que se quebrou e não foi mais. 

então eu só voltei para casa com a calça ensopada e a cara vermelha e os grampos pendurados no rabo de cavalo desfeito, e me olharam com aquela cara de "mas o que ela fez agora?"

- o que foi isso? você levou um tombo?

como se explica? não se explica. não se explica nunca. porque se começar não acaba nunca mais e né, vamos evitar.

- levei.

e foi a coisa mais honesta que eu disse em semanas.

07 março 2012

e vai começar de novo o/

a nova temporada do eu odeio muito essa porra dessa licenciatura.

:D

primeira aula (mentira, não chama aula, chama ~encontro~) e tudo o que eu me perguntava era por que, sua besta, por queeeee você não sentou perto da porta?
sensação muito agradável.

aí vem a descoberta: embora teoricamente esteja inscrita na quarta à noite, a mulher quer todo mundo lá 3 noites por semana. para o que, não entendi muito bem, porque estourou uma veia no meu cérebro quando escutei isso. tudo o que sei é que são reuniões temáticas e ouvi algo envolvendo dramatizações sendo mencionado.

minha resposta para isso em duas palavras: dardos. tranquilizantes.

o tema do ~encontro~ de amanhã é: levar um objeto qualquer que lembre os anos escolares e compartilhar impressões.

OLHA,

primeiro que se eu quiser compartilhar as impressões dos meus anos escolares eu volto pro psiquiatra que é mais adequado. segundo que né? um objeto que lembre minha época de escola. sabe quanto tempo faz isso? kurt cobain tava vivo. brian molko cantava nancy boy de vestidinho, gente. eu poderia levar aquela mochila jeans toda podre pixada com nomes de bandas dos anos 90 (que obviamente tentei jogar fora mas guess what? minha tia pegou de volta RYSOS.) mas aí os colega NÃO VAI ENTENDER NADA porque nos anos 90 eles tavam escutando saltimbancos e fazendo trabalhinho com giz de cera derretido.

também posso levar apenas um isqueiro. e contar com riqueza de detalhes como uma sociopata queimou as pontas do meu cabelo no meio da aula na sétima série, acabando. com. a. vibe. do. ~encontro~.

ou talvez apareça misteriosamente uma caixa de prozac ao lado da minha cama amanhã, eu engula todos os comprimidos com cartela e tudo e vá calma e risonha mostrar as medalhinhas de quando eu tinha um futuro promissor.


muitas dúvidas, muitas possibilidades.

02 março 2012

mandam emails perguntando como as coisas estão.

emails que, nessa fase de absoluta deriva, não tenho a menor noção de como responder. daí passo por indelicada, quando ficar invisível deve ser a maior demonstração de delicadeza que posso oferecer. e quem tem alguma dúvida é só perguntar pra quem me atura nos bastidores, mas acho que eles não vão testemunhar porque estão todos traumatizados com a alta carga de mimimi despejada diariamente.

na noite passada sonhei que estava de novo cursando a sétima série. minha vida é um eterno cursar a sétima série, caso alguém não tenha reparado. mas enfim. eu estava lá, de uniforme no pátio, sofrendo um bullying nervoso de um grupo de pessoas  uó. e quem articulava o terrorismo era ninguém menos que... a precious.

cês tem noção do que é sofrer bullying DA PRECIOUS?
cês têm noção (2) de como anda o subconsciente de uma pessoa que faz uma associação dessa natureza?
cês têm certeza de que querem mesmo que eu conte como anda a vida?

ah, tá.

19 fevereiro 2012

não deixe o samba morrer

bom, aí tá rolando essa cruzada obscura pra tirar a raquel de casa porque é carnaval, é tempo de festa, de alegria, de pegar sapinho, de interagir com pessoas que bebem nova schin em público sem condená-las porque você não consegue mais ler o que tá escrito na lata, mesmo. eu tenho problemas com datas em que você tem obrigação de ser ~feliz~ tipo aniversário, natal, dia dos namorados etc, mas carnaval é ligeiramente mais complexo porque:

a) dura UMA PORRA DE SEMANA
b) não consigo explicar totalmente minha aversão sem jogar outros acontecimentos na roda, tipo o onipresente b1/b2 
você quis dizer: maníaco do parque
você quis dizer: a pessoa mais esdrúxula que você já namorou
você quis dizer: total vou pro céu depois disso

então, a exemplo daquele post das 5 viradas de ano mais esculhambadas da vida achei pertinente fazer uma síntese dos meus últimos carnavais pra ver se as pessoas por favor param de me ligar pra dizer que eu tô perdendo momentos inesquecíveis no cachorro cansado. gente. cachorro cansado e boomerang são tags carnavalescas que deixam meu coração todo preto e peludo de desgosto, mas deixa quieto e vamos à retrospectiva.

? - 2006: tive lá meus momentos em blocos, tinha um grupo de amigos meio obsessivo que se sentia num híbrido de friends com atração fatal, mas nesse tempo as coisas ainda funcionavam - assim como o bloco das carmelitas e o meu fígado. e era bom, vá. mas tudo era bom naquela época, não tenho parâmetros. e eu estava fmz com b1/b2, o que significa BARRACO.

2007: havia sido delicadamente (not) expulsa do grupo/seita depois de um inesquecível churrasco em que b1/b2 empurrou uma das organizadoras, com o carro, para dentro de uma vala. mas detalhes. foi um carnaval boring, considerando que havia perdido todos os meus """amigos""" e o momento mais relevante foi quando um vendedor de cerveja passou com seu carrinho de rolimã em cima do meu pé, no meio do cordão do bola preta. eu poderia fazer um trocadilho envolvendo "bola preta" e o estado que meu pé ficou, mas poupá-los-ei.

2008: tinha me separado de b1/b2 e jurava que ia cair na esbórnia, mas consegui apenas me perder de todos os blocos. se você está se perguntando que tipo de pessoa consegue se perder de blocos, obviamente é novato aqui. ah, sim. consegui chegar a tempo para o segundo desfile da banda de ipanema, vestida de noiva e sendo interceptada por turistas querendo tirar foto comigo/me agarrar. na sequência tive meu celular roubado por um trombadinha. yey.

2009: tinha voltado com b1/b2 (apenas para na sequência levar um delicioso chifre, risos.) então né? tédio, barracos, barracos, tédio. precisei recorrer aos arquivos do blog antigo pra lembrar, de tão marcante que foi. teve um dia que eu cheguei a FAZER PÃO, então reflitam.

2010: foi o ano em que o carnaval do rio agonizou e morreu para mim. minha avó estava internada e olha, nada legal você ir visitar uma pessoa que está morrendo e nego com bafo de cachaça alisar sua bunda por todo o percurso. sem contar os plantonistas recém formados que tinham serpentina no lugar do cérebro e todo dia tinham uma surpresinha tipo desentubamos dona maria/rsrs brinks entubamos dona maria de novo, até que dona maria ela própria cansou de brincar com aquele bando de babaca e não voltou mais. você fala "bloco", isso me remete imediatamente àqueles dias do cão. impossível dissociar, ao menos por enquanto.

2011: foi o verão em que decidi fazer algo diferente, em parte porque não queria ficar no rio, em parte porque... enfim. fui parar em são joão nepomuceno, onde passei 3 dias inesquecíveis num colchão inflável num prédio comercial vazio, doente, fazendo pausas na febre para tirar de nárnia todos os gays de são joão & localidades vizinhas. o momento mais legal da viagem foi quando saí a esmo pela cidade e achei uma padaria aberta. quer dizer. mentira. o momento mais legal foi quando a cacura oficial da cidade, carinhosamente chamada de ~bela~, ficou COM PENA de mim e me tirou pra dançar no meio da praça.
edit: como pedro bem me lembrou, meu comportamento adorável e comedido angariou múltiplos fãs na tradicional sociedade mineira, e tipo 3 horas depois do meu desembarque fiquei conhecida na cidade como amy winehouse.

2012: eu tenho internet. eu tenho pelo menos 5 livros não lidos, sem mencionar os vários começados. eu tenho vodka e espumante rosa. 
alguém vai contestar a decisão?
obg.

16 fevereiro 2012

tipo the secret. só que ao contrário.

existe um defeito meu pelo qual me criticam e, além de concordar, ainda ajudo a meter o pau: se eu acho que uma coisa vai dar errado, não tento. não começo. já saiu do território do instinto de preservação e entrou no da maluquice pura e simples há tempos, eu total reconheço isso. e tento me vigiar, mas ao primeiro sinal de zica lá estou eu outra vez pedindo uma rodada de autosabotagem pra galera.

daí tem essa matéria, que dura o ano todo e é basicamente a única coisa que falta para eu me formar. em janeiro me dei conta de que havia perdido a inscrição, que foi em novembro. porque em novembro provavelmente estava consertando algo que fiz em agosto.
a raquel sem supervisão teria desencanado e puxado uma eletiva nonsense tipo astrofísica. 
a raquel supervisionada fez um mimimi rápido e tentou reverter a situação.

procurei uma amiga já formada para perguntar como fazia. ela não sabia, porque né, ela é uma pessoa que faz as coisas na hora correta (deve ser por isso que conseguiu se formar, e eu não. hmmm.). mas em todo caso deixou uma recomendação: se for se inscrever, vai pra turma da jaqueline. em hipótese nenhuma entra na turma da mariana. e eu fui lá e enviei o formulário de inscrição com 2 meses de atraso. super the secret, imagine que conseguiu e assim será. 

hoje a coordenadora me ligou na hora do almoço avisando que o sistema ia rejeitar minha inscrição, porque tava atrasada. mas que eu não me preocupasse, porque antes que isso acontecesse ela daria um jeito de me encaixar em uma turma mesmo assim. 

adivinhem em que turma eu estava antes.
depois dessa intervenção ~abençoada~, adivinhem em que turma eu fui parar.
agora adivinhem o estado de espírito em que me encontro.

rs.

15 fevereiro 2012

ontem um desconhecido me adicionou no msn.

rafa-qualquer-coisa.

porque sim, ainda há quem use msn. e eu sei que não devia aceitar essas criaturas que surgem só deus sabe de onde. eu seeeeei. mas aí sempre penso nas pessoas ótimas que só entraram na minha vida porque utilizo esses métodos pouco usuais de acolhimento e filtragem. e acabo dando uma chance.

(dar uma chance: eu faço isso bem errado. até quando faço quase certo.)

durante todos os 3 minutos da conversa que nem chegou a acontecer, rafa-qualquer-coisa apertou o botão infame de chamar atenção ali umas 35 vezes. bloqueei, excluí e esqueci o assunto. mas horas depois precisei abrir o hotmail pra checar meus trânsitos astrológicos e tinha mensagem do formulário do blog velho. da parte de quem, oh céus? quem entra num blog desativado há quase um ano e ainda manda email?

Olá, gostaria de fazer amizades com pessoas que tem a mesma doença que eu: a esquizofrenia! Seria bom compartilhar os problemas e as experiências que vivemos...

Rafa-qualquer-coisa

ou: that awkward moment em que você tem um blog chamado "esquizofrenia quem curte" e a pessoa além de não contestar (provando que o limite entre suas piadas e um transtorno mental é embaraçosamente tênue) ainda quer compartilhar os problemas. e elevar seu conceito de SERIOUSLY?! até o infinito.

aí fiquei aqui imaginando: já pensou que incrível se todas as pessoas que já me abordaram tivessem informado assim de cara os probleminhas mentais que têm, ou acham que eu tenho?

simplificaria tanto a minha vida, gente.

não AGOENTO mais esse bandi post intimista?

mas quando a vida insiste em acontecer mais do lado de dentro da sua cabeça do que fora, é o que sobra. malzaê, gente. vai passar, eventualmente. sempre passa. 

e enquanto não passa a gente elabora. elaborar nada mais é do que um termo mais elegante para chafurdar sem limites no reino mágico do deveria-ser-assim, mas deixa meu eufemismo em paz. no fim sempre tem uma dose relevante de razão na minha psicose. no fim, geralmente, eu também já parei de me importar, mas ok.

eu tenho uns rasgos de lucidez chocantes, mas só quando estou distraída. quando estou analisando a questão pelas beiradas, tecendo comentários vagos, escrevendo bilhetes para mim mesma nas margens das folhas. meses depois, esbarro por acaso nessas anotações e quase sempre a merda já está feita. e é muito frustrante notar que eu já sabia o desfecho. sabia, inclusive, em que ponto do caminho ia perder o controle e falhar. porém, minha capacidade de análise e a de gerenciar decisões estão em áreas do cérebro incomunicáveis entre si, o que explica esse hábito pouco saudável de me atirar nas coisas sem saber se vou conseguir nadar de volta. uma pessoa que compreendo: padre adelir. amarrar 300 balões nas costas e só depois lembrar que não sabe usar o gps é total a minha cara. aprender a usar o gps e largá-lo para trás só de sacanagem, mais ainda. joga aí na lista de assuntos para a terapia que jamais farei.

de vez em quando acontece de voltar àquele ponto inicial antes do desfecho, uma característica das fases em que os acontecimentos acham de bom tom começar pelo fim, continuar pelo princípio e terminar no meio. de repente tudo parece tão fora do prumo que saio da minha perspectiva - ansiosa, precipitada, destrambelhada - e leio aquelas considerações de tempos atrás como se não me dissessem respeito diretamente. compreendendo que são, sim, passado. mas também são parte indissociável do que é agora, do que virá depois. e não há como escolher lidar com uma parte e ignorar todo o resto. porque está tudo ali. sempre esteve. muitas vezes com a minha própria letra. e a responsabilidade de ler direito era toda minha.